Gostou? Então espalha pra galera!

30 outubro 2012

Confissões de uma ex-adolescente

Lembro que até uma certa idade, enquanto ainda era adolescente, eu tinha um desejo meio estranho: quebrar o pé. Minha mãe faltava pouco me exorcizar quando eu dizia isso!!! Porém, quando eu via alguns amigos vindo para a escola com aquela botinha de gesso achava o máximo! Principalmente quando todos queriam deixar sua "marca" na botinha, assinando o seu nome, fazendo um desenho ou algo semelhante. 

Lembro também que esse desejo aumentava quando chegava perto do dia 7 de setembro, dia em que acontecia o desfile cívico na cidade e todos os alunos da escola que eu estudava eram obrigados a desfilar (sob pena de suspensão caso não comparecesse). Eu, que nunca gostei de holofotes, detestava aquilo tudo; odiava a ideia de ter que ir obrigada participar daquele evento. Logo, desejava ardentemente que algo acontecesse com meu pé para que eu tivesse uma justificativa válida para faltar naquele dia odioso!

Entretanto, por mais que eu tivesse desejado, nunca aconteceu. E, para minha infelicidade, tive que participar do desfile durante todos os anos em que fui aluna daquele colégio (o que equivale a 9 anos consecutivos!). Além desses anos, ainda tive que participar do bendito desfile durante os 4 anos que lecionei em uma escola particular (os professores também eram obrigados a ir, sob pena de desconto na folha salarial! #AiComoSofro).

O tempo passou... E eis que só agora, com 31 anos "nas costas", aquele antigo desejo se concretizou (mesmo eu não tendo mais vontade alguma que ele acontecesse!). Sim, eu quebrei o pé. E quebrei de uma forma nada muito bacana: num acidente. 

Olha ele aí
Explico: parada eu estava no sinal de trânsito, quando um cara veio por trás em um carro e bateu na minha moto. Nesse momento, eu caí para o lado junto com a moto que ficou por cima da minha perna direita. O pé ficou preso em algum lugar e um osso não resistiu e se rachou. O cara que bateu, num gesto de cidadania e solidariedade (!), me socorreu e levou-me até o hospital.  Depois do raio-x, descobri que fraturei o 5º metatarso do pé direito. Se fosse só isso teria sido até menos ruim. O pior foi ter torcido o joelho também (da mesma perna), que ficou tão inchado que parecia uma cobra que tinha engolido uma bola.

O ortopedista deu-me a boa notícia de que não havia fratura no joelho, mas, em seguida, jogou um balde de água vinda diretamente de algum lago do pólo norte, quando disse que poderia ter rompido algum ligamento, o que acarretaria em cirurgia - posteriormente.

O pé foi engessado. O joelho continuou inchando cada vez mais. E doendo cada vez mais também. Com a perna toda comprometida, fiquei impossibilitada de qualquer movimento independente. A cama era meu paraíso.  E meu inferno. Essa dor horrenda me consumiu durante os três primeiros dias. Dias em que eu não fazia nada direito: nem dormia, nem me mexia, nem sentia vontade de comer... Para não falar do banho, uma verdadeira sessão de tortura ( --> o cuidado do mundo todinho para não molhar o gesso, para me equilibrar num pé só, para esquecer a dor da outra perna, enfim...)

Passados 6 dias desde o ocorrido, o joelho já parou de doer tanto quanto antes. Acredito (mas quem sou eu para saber dessas coisas?) que os ligamentos não se romperam, embora eu não consiga dobrar o bendito joelho sem que sinta uma dorzinha bem horrível na lateral esquerda da perna. Bem, dia 7/11 retornarei ao ortopedista e ele avaliará o caso. 

O que importa agora é que eu, de pessoa totalmente independente e que detesta ficar pedindo as coisas aos outros, tive que me tornar alguém dependente da caridade do povo aqui de casa. Meu marido me ajuda no banho colocando o saco para não molhar o gesso, minha filha e minha enteada estão tentando se virar na cozinha fazendo o almoço e a janta para os habitantes da casa, além de cuidarem da limpeza (quando a preguiça deixa...). Enquanto isso, eu fico aqui no quarto, nessa cama, sem muita opção. Leio, vejo TV, dou uma passada na net... Enfim, nada de tão interessante assim.

Moral da história: muitos anos depois, descubro que não tem nada de "máximo" em colocar uma bota de gesso, e o pior, tão tarde assim não tem graça, pois não tem ninguém para assinar!!! rs..


Bt. Am.

2 mil pitacos!:

Neilianne Mara Da Silva disse...

kkkk gostei do texto, acho que toda criança ou adolescente sentiu esse desejo. Hoje com quase 30 também não o tenho mais e espero que continue assim. Melhoras!

Pensamentos soltos disse...

Tadinha...Já passei por isso (no braço)e não é nada legal.
Agora aprendeu que sua mãe tinha razão, em Beth?

Beijos e melhoras

Não Seja Egoísta! Compartilhe!